A mina de Balama, em Cabo Delgado, recebeu um novo desembolso de 8,5 milhões de dólares da International Development Finance Corporation (DFC), agência financeira do Governo dos Estados Unidos, reforçando a liquidez operacional do projecto e elevando para 68 milhões de dólares o saldo ainda disponível da linha de crédito aprovada em 2024.
O financiamento integra o pacote total de 150 milhões de dólares, destinado a apoiar a produção de grafite natural utilizado em baterias de veículos eléctricos, num contexto global de crescente procura por minerais críticos.
Num comunicado divulgado aos mercados, a Syrah Resources, empresa australiana que opera Balama, destaca que o novo desembolso reflecte a continuidade do apoio norte-americano ao projecto.
“O acordo destaca a importância estratégica de Balama para reforçar a segurança da cadeia de abastecimento de minerais críticos e apoiar as prioridades dos EUA em matéria de energia, transportes e segurança nacional”, refere a nota oficial da DFC.
Além da nova tranche, a DFC decidiu adiar o pagamento de juros para maio de 2026, medida interpretada pela mineradora como um sinal adicional de confiança no projecto. Em contrapartida, a Syrah irá emitir garantias sobre acções relevantes.
26 mil toneladas produzidas após seis meses de paralisação
A Syrah registou uma produção de 26.000 toneladas de grafite no terceiro trimestre de 2025, numa recuperação gradual após a paralisação de seis meses motivada pelas manifestações pós-eleitorais que afectaram a segurança e a circulação na região.
O estatuto de força maior, declarado em dezembro de 2024, foi oficialmente levantado entre maio e junho de 2025, após o restabelecimento das condições operacionais e logísticas. A Twigg Exploration and Mining, subsidiária da Syrah, comunicou ao Governo a normalização total das operações, conforme previsto no Contrato de Mineração.
As perturbações afectaram igualmente o desempenho nacional: Moçambique produziu 34.899 toneladas de grafite em 2024, uma queda de 64%, representando um dos níveis mais baixos dos últimos anos.
Balama mantém liderança global no fornecimento de grafite para baterias
O director-geral da Syrah, Shaun Verner, sublinhou a relevância internacional da produção moçambicana no mercado de veículos eléctricos.
“Balama é a maior operação integrada de mineração e processamento de grafite do mundo e é estrategicamente importante para a segurança da cadeia de abastecimento e o fornecimento de minerais críticos necessários para a transição energética e de veículos eléctricos nos EUA.”
A empresa avança simultaneamente com a construção da fábrica Vidalia, nos Estados Unidos, que irá transformar o grafite natural de Balama em material activo de ânodo para baterias eléctricas, reforçando a integração de Moçambique nas cadeias globais de valor vinculadas à mobilidade eléctrica.