O Governo de Moçambique prevê alocar 1,5 mil milhões de meticais ao Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL) em 2026, segundo a intervenção oficial do Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, apresentada na Assembleia da República no dia 6 de Novembro de 2025. A expansão financeira tem como objectivo responder à procura crescente e consolidar o FDEL como instrumento estruturante da economia local.
O ministro explicou que o programa está a tornar-se um eixo permanente de desenvolvimento comunitário, articulado com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE) e com o Programa Quinquenal 2025–2029.
“Olhando para o futuro, o Governo já previu para 2026 a alocação de 1,5 mil milhões de Meticais (previsto no PESOE 2026), a ser complementado com recursos a serem mobilizados através de parcerias que estamos a forjar”, destacou Salim Valá.
A ampliação do envelope financeiro responde ao facto de o FDEL ter recebido 112.197 projectos, num valor acumulado que ultrapassa 10,1 mil milhões de meticais, equivalente a 12 vezes a verba disponível em 2025.
Procura massiva demonstra confiança e energia empreendedora
As candidaturas provêm sobretudo de jovens, mulheres e microempreendedores, reflectindo um interesse nacional sem precedentes.
“O facto de ter-se muitos projectos recebidos, com montantes bem acima dos disponíveis, é um sinal claro de que a mensagem do FDEL chegou às bases, despertando a energia empreendedora dos cidadãos”, esclareceu Salim Valá.
Segundo os dados apresentados, 67% dos projectos são de cidadãos individuais, 32% de associações e cooperativas e 1%de micro e pequenas empresas. As áreas mais procuradas são comércio, agricultura, avicultura, serviços e pecuária.
Descentralização produtiva avança com impacto directo nas comunidades
O Governo reforça que o FDEL não é apenas um fundo financeiro, mas uma mudança estrutural na forma como os territórios produzem riqueza.
“O FDEL está a construir uma economia de proximidade, onde o investimento público se traduz directamente em novas oportunidades de negócio, em empregos, em rendimento e em auto-confiança”, explicou Salim Valá.
O programa mobiliza 215 Comissões de Selecção de Projectos e envolve 1.176 técnicos em todo o país, assegurando participação comunitária e transparência no processo de avaliação.
A próxima fase do programa incluirá inovação tecnológica, incubação empresarial e novos mecanismos de financiamento.
Entre as iniciativas previstas estão:
FDEL Digital – plataforma de submissão e monitoria online;
Base pública de dados sobre beneficiários e reembolsos;
FDEL Labs – centros de incubação e aceleração de negócios distritais;
modelos de co-financiamento com parceiros nacionais e internacionais.
“O FDEL será, sem dúvidas, uma alavanca segura para construir um novo Moçambique, assente em transformar ideias em negócios, negócios em empregos e empregos em prosperidade partilhada”, defendeu Salim Valá.
Meta: consolidar o FDEL como pilar da economia local até 2027
O Governo quer transformar o FDEL num mecanismo permanente de desenvolvimento económico local, com prioridade para a juventude, mulheres empreendedoras e zonas rurais de maior vulnerabilidade económica.
A previsão de 1,5 mil milhões MT em 2026 deverá permitir aumentar o número de projectos financiados, reforçar a inclusão produtiva e reduzir desigualdades territoriais, consolidando o FDEL como um dos pilares da política pública de crescimento económico inclusivo.