O Presidente da Comissão Executiva do Millennium bim, Rui Pedro, defendeu que o sistema financeiro moçambicano precisa de assumir um papel mais activo na promoção do crescimento económico, deixando de ser apenas um intermediário para se tornar um verdadeiro catalisador do desenvolvimento.
A posição foi apresentada esta quinta-feira, em Maputo, durante a Conferência Económica Visão M, evento que assinalou os 30 anos do Millennium bim e reuniu governantes, líderes empresariais, académicos e representantes do sector privado.
Rui Pedro afirmou que a actual conjuntura global, marcada por incertezas geopolíticas, transições tecnológicas e mudanças aceleradas, exige maior ambição estratégica das instituições financeiras.
“Mais do que uma celebração institucional, esta conferência representa a nossa forma de reafirmar um compromisso: o de sermos parte activa nas reflexões e soluções para o futuro de Moçambique.”
O gestor sublinhou que os bancos têm um papel decisivo na construção de economias resilientes, especialmente nos países emergentes, onde o financiamento ao sector produtivo é determinante para acelerar a industrialização, fortalecer o mercado interno e criar empregos.
Sistema financeiro deve ser catalisador do desenvolvimento
Para Rui Pedro, o país não pode continuar a olhar para os bancos apenas como entidades que transformam depósitos em crédito. O sistema financeiro deve ter uma missão económica mais ampla, que inclua:
“No Millennium bim assumimos este papel com ambição e determinação, investindo em soluções digitais inovadoras, em educação financeira e em parcerias que potenciem o crescimento das empresas e das famílias.”
Moçambique entre riscos globais e oportunidades estruturais
Com o lema “Geopolítica e o Futuro das Economias Emergentes – Prioridades para Moçambique”, a conferência desafiou os participantes a analisar como o país pode transformar riscos externos em oportunidades de crescimento.
Segundo Rui Pedro, Moçambique enfrenta riscos associados à volatilidade internacional, mas também dispõe de oportunidades significativas ligadas a:
transição energética;
desenvolvimento regional;
integração em cadeias de valor africanas;
exploração sustentável dos recursos naturais;
industrialização e economia digital.
“Num mundo em rápida transformação, com incertezas geopolíticas, transições energéticas e uma aceleração tecnológica sem precedentes, as economias emergentes como a moçambicana enfrentam simultaneamente riscos e oportunidades.”
Visão, colaboração e acção coordenada: os três pilares
Rui Pedro afirmou que o impacto desejado nas reformas económicas dependerá da capacidade de mobilizar três elementos essenciais:
O Millennium bim, ao acolher a conferência, pretendeu posicionar-se como facilitador do diálogo entre Governo, sector privado e parceiros internacionais.
“Esta conferência não é apenas um espaço de debate, mas um convite à acção.”
30 anos de história e um compromisso renovado
O Presidente da Comissão Executiva recordou que o percurso de três décadas do Millennium bim demonstra que o desempenho da banca está intrinsecamente ligado ao progresso económico e social do país.
Rui Pedro sublinhou que Moçambique vive um momento estratégico para:
consolidar o seu papel como produtor regional de energia;
atrair mais investimento;
acelerar a diversificação económica através da industrialização e do empreendedorismo.
“O sucesso do banco está intrinsecamente ligado ao desenvolvimento económico e social de Moçambique.”
A Conferência Económica Visão M encerrou com apelos à convergência entre actores económicos, à inovação contínua e à construção de um sistema financeiro capaz de responder às ambições de crescimento do país.