O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Encerramento da Mozal pode agravar instabilidade económica

A Mozal, maior indústria de Moçambique e responsável por cerca de 3% do PIB nacional, anunciou a suspensão das suas actividades a partir de Março de 2026, devido à falta de acordo no fornecimento de energia. A decisão da South32, accionista maioritária, está a gerar forte preocupação entre trabalhadores e empresas fornecedoras. A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) apelou a soluções urgentes para evitar o encerramento, alertando para consequências económicas e sociais severas, incluindo falência de pequenas empresas e despedimento massivo de trabalhadores.

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A decisão da Mozal, maior indústria de Moçambique, de suspender as suas actividades a partir de Março de 2026, está a gerar preocupação entre trabalhadores e empresas que dependem da fundição de alumínio para sobreviver.

A australiana South32, accionista maioritária da Mozal, justificou a paralisação pela falta de acordo no fornecimento de energia. A Mozal compra quase metade da electricidade produzida em Moçambique, através da sul‑africana Eskom, e representa cerca de 3% do PIB nacional.

Criada em 1998, a Mozal foi um dos primeiros mega-projectos do País, símbolo de progresso e de salários acima da média nacional.

CTA pede soluções urgentes

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) apelou a que se evite “a todo o custo” o encerramento da Mozal, alertando para consequências económicas e sociais severas.

“Evitar a todo o custo o encerramento da fábrica deve ser um objectivo comum, tendo em conta que tal cenário acarretaria consequências económicas e sociais severas, incluindo a falência de várias pequenas empresas nacionais e o despedimento massivo de trabalhadores”, afirmou Álvaro Massingue, presidente da CTA.

A CTA considera a Mozal um activo estratégico e sugere prolongar o contrato actual por 6 a 12 meses, criando espaço para negociações sustentáveis.

Cerca de mil trabalhadores poderão perder o emprego. Com uma taxa de desemprego estimada em 18,4%, as perspectivas de reintegração são reduzidas.

Empresas terciárias em crise

O impacto estende‑se às empresas fornecedoras e prestadoras de serviços. A C&S Engenharia reduziu 40% da sua força laboral.

“O impacto é devastador. O parque industrial foi criado para servir a Mozal. Reinventar‑nos não está a ser fácil”, afirmou Feliciano Augusto, gestor da empresa.

Muitas destas empresas dependiam da previsibilidade de pagamentos da Mozal, considerada uma world class company, e enfrentam agora um cenário “catastrófico”.

Segundo a South32, os custos de manutenção da Mozal, incluindo rescisões de contratos, deverão rondar 60 milhões de dólares, com despesas anuais adicionais de cerca de 5 milhões de dólares.

Apesar do cenário sombrio, alguns trabalhadores mantêm esperança de que a suspensão possa ser revertida ou que surja a possibilidade de venda da fábrica.

Fonte: DW