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Investimento de 3 milhões USD lança indústria electrónica em Moçambique

Moçambique iniciou a construção da primeira fábrica de dispositivos electrónicos do país, no Parque Industrial de Beluluane, num investimento avaliado em 3 milhões de dólares. A unidade prevê a montagem local de telemóveis, smartphones e laptops, com capacidade inicial de 80 mil unidades por mês, podendo chegar a 300 mil. O projecto poderá reduzir até 15% das importações de telemóveis, gerar emprego qualificado, promover a transferência de conhecimento e reforçar a transformação digital, posicionando-se como um marco estratégico da industrialização nacional.

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Moçambique deu um passo estruturante no processo de industrialização e transformação digital, com o lançamento da primeira pedra para a construção da primeira fábrica de dispositivos electrónicos do país, instalada no Parque Industrial de Beluluane, na província de Maputo.

Avaliado em cerca de 3 milhões de dólares norte-americanos, o projecto prevê a montagem local de telemóveis, laptops e, numa fase posterior, pequenos electrodomésticos, posicionando-se como a primeira unidade industrial especializada em electrónica a operar em território nacional.

Capacidade produtiva pode reduzir importações até 15%

O investimento contempla duas linhas de montagem semi-automáticas, com aproximadamente 40 metros cada, com capacidade inicial para 80 mil unidades por mês, podendo evoluir para 300 mil unidades mensais à medida que a operação atinja a maturidade.

A produção inicial incidirá sobre:

  • telemóveis 2G e 4G do tipo feature phone;

  • smart feature phones 4G;

  • smartphones de gama média;

  • laptops.

Segundo os promotores, esta capacidade poderá reduzir entre 14% e 15% a necessidade anual de importação de telemóveis, com impacto directo na balança comercial e na substituição competitiva de importações.

Industrialização como base da transformação económica

Durante a cerimónia, o Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, sublinhou que o projecto está alinhado com a visão estratégica do Presidente da República de tornar Moçambique economicamente mais independente através da industrialização.

“Todos os serviços e oportunidades na economia só se elevam se houver industrialização à sua volta. É na base da industrialização que se pode aumentar o valor das matérias-primas e criar emprego para jovens e mulheres”, afirmou.

Segundo o governante, a fábrica vai além da simples montagem de equipamentos, ao facilitar o acesso dos cidadãos aos serviços digitais do Estado, reforçando a transformação digital em todo o território nacional.

O Ministro destacou ainda o carácter estratégico do projecto como núcleo de inovação tecnológica, ao permitir que os trabalhadores formados desenvolvam competências avançadas, promovendo a transferência de conhecimento e criando condições para o surgimento de novas indústrias tecnológicas nacionais.

Emprego, qualificação e valor acrescentado nacional

O impacto do investimento deverá reflectir-se em várias dimensões económicas, nomeadamente:

  • formação de mão-de-obra qualificada;

  • criação de emprego para jovens e mulheres;

  • redução da dependência externa;

  • aumento do valor acrescentado nacional;

  • reforço da arrecadação fiscal.

À medida que a indústria electrónica se consolide, o país poderá integrar cadeias de valor mais sofisticadas, reforçando a sua competitividade no sector tecnológico regional.

Na mesma ocasião, o Governador da Província de Maputo destacou o Parque Industrial de Beluluane como plataforma estratégica para a industrialização, referindo que, no âmbito de um memorando com a Moço Parque, os custos de acesso ao parque foram reduzidos em 90%, o que permitiu a entrada de 15 novas empresas.

A medida contribui para o dinamismo económico provincial, através da criação de empregos e do aumento das receitas locais.

Produção começa com telemóveis e evolui para laptops

O representante da Moz-Source explicou que a fábrica iniciará a produção com telemóveis, avançando posteriormente para a montagem de laptops, num modelo progressivo de consolidação industrial.

Segundo a empresa, este planeamento permitirá reforçar a capacidade tecnológica nacional, acelerar a qualificação de quadros moçambicanos e contribuir para a independência tecnológica do país.

A concretização deste projecto é encarada como um marco estratégico para o desenvolvimento industrial e digital de Moçambique, ao combinar investimento produtivo, capacitação de recursos humanos, redução de importações e criação de emprego, reforçando simultaneamente a base fiscal e o posicionamento do país no sector tecnológico.