Especialistas consideram que o regresso das operações da TotalEnergies em Cabo Delgado representa um novo impulso para a economia nacional e um sinal de estabilidade para os investidores.
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Especialistas consideram que o regresso das operações da TotalEnergies em Cabo Delgado representa um novo impulso para a economia nacional e um sinal de estabilidade para os investidores.

O levantamento do regime de Força Maior sobre o projeto de gás natural em Cabo Delgado está a ser visto por analistas como um marco decisivo para a recuperação económica de Moçambique.
No programa Noite Informativa da STV Notícias, os especialistas Mukhtar Abdul Carimo, Rodrigo Rocha e Samuel Simango avaliaram o impacto da decisão e defenderam que o país entra numa nova fase de confiança, atratividade e dinamismo económico.
O economista Mukhtar Abdul Carimo sublinhou que o reinício das operações permitirá o retorno de fluxos de capital e divisas ao país, num momento em que Moçambique enfrenta restrições no mercado cambial.
“Com o retomar do projeto, o influxo de divisas vai reforçar a balança de pagamentos e contribuir para a estabilidade macroeconómica”, afirmou.
Carimo destacou ainda a importância de acelerar a aprovação da Lei do Conteúdo Local, garantindo que empresas moçambicanas participem diretamente nos benefícios do projeto e que o tecido económico de Pemba e Cabo Delgado seja revitalizado após anos de paralisação.
Para o jurista Rodrigo Rocha, o levantamento da Força Maior exige uma revisão técnica e transparente das cláusulas do contrato de concessão entre o Estado moçambicano e a TotalEnergies.
“Parte do período de paralisação não pode ser automaticamente compensada com a extensão do contrato. É preciso reavaliar custos e prazos à luz da nova realidade”, explicou.
O analista defende que esse processo não representa instabilidade jurídica, mas sim um ajuste natural dentro de um contrato de longo prazo num setor de grande complexidade.
O analista político Samuel Simango lembrou que a suspensão do projeto teve custos políticos e reputacionais significativos para o país, e que o governo deve reconstruir a confiança das comunidades e investidores.
“Mais do que salvaguardar aspetos jurídicos, é essencial comunicar claramente os benefícios concretos que o projeto trará às populações afetadas”, defendeu.
Para Simango, a clareza na comunicação será fundamental para consolidar a estabilidade social e política na região norte.
Com o levantamento da Força Maior, Moçambique retoma um dos maiores investimentos privados do continente, estimado em dezenas de milhares de milhões de dólares, abrindo caminho para crescimento, geração de emprego e arrecadação fiscal.
A decisão, segundo os analistas, simboliza a confiança internacional renovada em Moçambique e reforça a imagem de um país em recuperação, estável e pronto para novos ciclos de desenvolvimento.