O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Moçambique aposta em gás, energias renováveis e logística para liderar energia na SADC

O Presidente da República, Daniel Chapo, apresentou em Bruxelas a estratégia para posicionar Moçambique como centro energético e logístico da África Austral. O plano aposta nos megaprojectos de gás natural da bacia do Rovuma, nas hidroeléctricas de Cahora Bassa e Mphanda Nkuwa, e na central de Temane. A estratégia inclui corredores de desenvolvimento e digitalização logística, com ambição de transformar o país num centro digital da SADC. Chapo convidou investidores internacionais a participar nos projectos estratégicos, reforçando energia, logística e inovação como pilares do crescimento económico nacional.

Verifica-16-Março-02 thumbnail

Moçambique pretende afirmar-se como um dos principais centros energéticos da África Austral, apostando na exploração de gás natural, no desenvolvimento de energias renováveis e na modernização das infra-estruturas logísticas.

A estratégia foi apresentada pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, durante um encontro com empresários e representantes do Governo da Bélgica, realizado em Bruxelas, no âmbito da sua visita de trabalho à União Europeia.

Durante a apresentação, o Chefe do Estado destacou o papel estratégico dos projectos de gás natural na bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, considerados fundamentais para a transformação económica do país.

“Este projecto começou por volta de 2017, mas teve de ser interrompido devido à situação de terrorismo. No último ano, porém, decidimos que era muito importante retomar o projecto. No mês passado estivemos em Afungi, na província de Cabo Delgado, para reiniciar as actividades.”

O Presidente avançou igualmente que o Governo mantém diálogo com a petrolífera ExxonMobil para o desenvolvimento de novos projectos energéticos.

“Estamos actualmente em diálogo com a ExxonMobil e acreditamos que, possivelmente em Agosto ou Setembro, poderemos anunciar juntos a decisão final de investimento deste projecto.”

Energias renováveis reforçam liderança regional

Para além do gás natural, o Presidente destacou o potencial das energias renováveis, defendendo que Moçambique pode desempenhar um papel central no abastecimento energético da região da SADC.

“Na região da SADC, Moçambique tem o potencial de se tornar um verdadeiro hub energético.”

Entre os projectos estratégicos mencionados estão a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, que já fornece energia a vários países da região, e o projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, que poderá produzir cerca de 1.500 megawatts.

Segundo o Chefe do Estado, a estratégia energética nacional está ligada ao processo de industrialização e criação de valor acrescentado no país.

“Com o nosso gás doméstico queremos promover a industrialização. Queremos produzir fertilizantes, apoiar a industrialização do país e desenvolver várias centrais de energia e linhas de transmissão para abastecer Moçambique e a região.”

O Presidente referiu também a central de Temane, na província de Inhambane, como uma infra-estrutura relevante para reforçar a capacidade energética nacional.

Corredores logísticos reforçam integração regional

No domínio logístico, Daniel Chapo destacou o papel dos corredores de desenvolvimento de Maputo, Beira e Nacala como plataformas estratégicas para o comércio regional.

“Queremos investir na digitalização das infra-estruturas logísticas, criando novos corredores digitais que complementem os corredores de desenvolvimento.”

Além da energia e logística, o Presidente apresentou a ambição de transformar Moçambique num centro tecnológico regional.

“A nossa ambição é transformar Moçambique num centro digital da região da SADC. Queremos instalar centros de dados no país, aproveitando a disponibilidade de energia para servir não apenas Moçambique, mas também os países vizinhos.”

O Chefe do Estado concluiu convidando investidores internacionais a participar nos projectos estratégicos do país.

“Estamos abertos a trabalhar com o sector privado, tanto de Moçambique como da Bélgica e de outros países, para desenvolver a nossa economia e criar oportunidades de investimento. Por isso, sejam todos bem-vindos a Moçambique.”