O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Investimentos de 50 mil milhões USD no Rovuma abrem caminho para nova fase energética em Moçambique

Moçambique avança para uma nova fase energética com quatro projectos de gás na Bacia do Rovuma, que podem mobilizar 50 mil milhões USD. As negociações com TotalEnergies, ExxonMobil e Eni progridem, enquanto o Governo reforça o Conteúdo Local, infra-estruturas e reformas económicas. O país prepara-se para maior emprego, receitas e crescimento no sector energético.

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Moçambique prepara-se para uma etapa decisiva no sector energético, com quatro projectos de gás natural na Bacia do Rovuma a avançarem para fases finais de negociação. No total, os investimentos previstos atingem cerca de 50 mil milhões de dólares, um dos maiores pacotes energéticos da África Austral.

O Governo confirmou que as conversações com a TotalEnergies, ExxonMobil e Eni evoluíram após melhorias na estabilidade em Cabo Delgado. A TotalEnergies indicou intenção de retomar o projecto Mozambique LNG; a ExxonMobil avalia uma decisão de investimento para meados de 2026; e a Eni já formalizou a expansão da unidade FLNG com o projecto Coral Norte.

Prioridade no Conteúdo Local e impacto comunitário

O Executivo informou que está a definir um novo modelo de Conteúdo Local, garantindo maior participação de empresas nacionais nas actividades ligadas aos megaprojectos. A prioridade é assegurar que os benefícios cheguem também às comunidades de Cabo Delgado, especialmente nas áreas de agricultura, infra-estruturas, turismo e industrialização.

Infra-estruturas estratégicas em curso

Com a entrada em funcionamento da fábrica, Sofala deixa de depender apenas da produção primária de gergelim e passa a integrar fases de transformação e exportação, ampliando oportunidades para agricultores familiares, jovens produtores e cooperativas locais.

A expansão da capacidade industrial permite que mais rendimento permaneça no país, criando condições para uma economia agrícola mais diversificada e menos vulnerável às oscilações de preços no mercado internacional.

Impacto económico e social imediato

Para acompanhar o aumento da actividade económica, o Governo destacou investimentos em corredores logísticos e infra-estruturas, nomeadamente:

  • ampliação da estrada Maputo–Ressano Garcia;

  • implementação da fronteira de paragem única com a África do Sul;

  • reabilitação de troços críticos da EN1, entre Save, Inchope, Gorongosa, Rio e Nicoadala.

Estas obras visam melhorar a mobilidade e sustentar a futura operação dos projectos do Rovuma.

Confiança económica e reformas

Segundo o Executivo, o avanço dos projectos energéticos também é reflexo da recuperação da confiança institucional, reforçada pela saída de Moçambique da Lista Cinzenta do GAFI. Paralelamente, estão em curso reformas fiscais, administrativas, digitais, judiciais e financeiras, incluindo a preparação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique.

Nova era energética

Com a combinação entre investimento externo, reforço institucional e participação nacional, Moçambique posiciona-se para iniciar uma nova era energética, caracterizada por maior geração de receitas, criação de empregos, expansão industrial e aumento da competitividade internacional.