O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Sector privado pede instrumentos financeiros robustos para acelerar crescimento económico

Durante o Fórum de Negócios Portugal–Moçambique, o Presidente da CTA, Álvaro Massingue, destacou avanços no ambiente de negócios, mas alertou para desafios como burocracia, custos logísticos e informalidade. O sector privado identificou cinco instrumentos prioritários para destravar o investimento: financiamento de longo prazo, fundos de garantia, linhas bilaterais, apoio à inovação e instrumentos de exportação. Moçambique mantém vantagens estratégicas: localização, recursos e população jovem, mas necessita de soluções financeiras adequadas para acelerar o crescimento e viabilizar projectos industriais e logísticos.

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A Missão Empresarial a Portugal marcou um dos momentos mais relevantes da presença moçambicana na VI Cimeira Bienal Portugal-Moçambique, com a realização do Fórum de Negócios Portugal-Moçambique. O encontro reuniu empresas, instituições financeiras e representantes governamentais dos dois países, reforçando a agenda de cooperação económica e investimento bilateral.

O Presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA), Álvaro Massingue, participou no painel dedicado ao “Ambiente de Negócios e Instrumentos Financeiros de Apoio ao Investimento”, onde apresentou a visão e as prioridades do sector privado moçambicano para dinamizar o crescimento económico.

Avanços reconhecidos, mas desafios persistem

Na sua intervenção, Massingue ressaltou progressos recentes que têm contribuído para melhorar o ambiente de negócios em Moçambique, destacando:

• a digitalização de diversos serviços públicos;
• avanços no diálogo público-privado;
• reformas para simplificação de processos;
• maior abertura ao investimento estrangeiro.

Apesar disso, sublinhou que persistem desafios que precisam de resposta rápida e estrutural. Entre eles, apontou:

• burocracia ainda pesada em sectores chave;
• custos logísticos elevados, que reduzem competitividade;
• necessidade de maior estabilidade regulatória;
• combate à informalidade e integração de MPMEs na economia formal.

Estes factores, defendeu, continuam a limitar a velocidade de expansão das empresas e a capacidade de atrair capital internacional em grande escala.

Moçambique mantém vantagens estratégicas para investimento

Massingue destacou também os elementos estruturais que colocam Moçambique numa posição privilegiada para atrair investimentos:

• localização estratégica com três corredores logísticos de alcance regional;
• acesso a seis países sem costa marítima;
• 2 700 km de litoral apto para portos, pesca, turismo e economia azul;
• recursos naturais abundantes e diversificados;
• disponibilidade hídrica com forte potencial hidroeléctrico;
• população jovem, empreendedora e aberta à tecnologia.

Segundo o dirigente da CTA, o país reúne condições únicas para desenvolver cadeias de valor industriais, energéticas, logísticas e agro-transformadoras, desde que o financiamento adequado esteja disponível.

Sector privado identifica cinco instrumentos financeiros prioritários

Para acompanhar o ritmo das oportunidades e desbloquear o crescimento, o sector privado moçambicano apontou cinco necessidades centrais:

  1. Financiamento acessível e de longo prazo, que permita projectos industriais e infra-estruturais de maturação lenta.

  2. Fundos de garantia e instrumentos de partilha de risco, essenciais para reduzir o custo de capital e incentivar o crédito às pequenas e médias empresas.

  3. Linhas de crédito bilaterais Moçambique-Portugal, com condições competitivas e enquadramento flexível para empresas dos dois países.

  4. Financiamento para inovação, digitalização e economia verde, áreas críticas para aumentar produtividade e competitividade.

  5. Instrumentos de apoio às exportações, incluindo factoring, seguro de crédito, financiamento do comércio externo e soluções cambiais.

O empresariado moçambicano considera que a presença de capital português em instituições financeiras que operam no país cria margem para desenvolver mecanismos financeiros mistos, bilaterais ou multilaterais, que possam ser estruturados e canalizados através desses bancos.

Segundo Massingue, esta articulação poderá viabilizar projectos de investimento em sectores estratégicos, fortalecer pequenas e médias empresas e impulsionar uma nova etapa de cooperação económica entre Moçambique e Portugal.