O Fundo Monetário Internacional (FMI) identificou sinais positivos na trajectória económica de Moçambique, impulsionados pela retoma dos trabalhos da TotalEnergies no projecto Mozambique LNG e pelo levantamento da cláusula de força maior pela Exxon Mobil no Rovuma LNG. Avaliados em mais de 50 mil milhões de dólares, estes dois mega-projectos representam os maiores investimentos privados da história do país e são agora vistos como motores essenciais para a recuperação económica e a expansão do produto interno bruto.
Numa nota preliminar divulgada após a missão do Artigo IV, o FMI afirma que o reinício destes investimentos energéticos poderá melhorar significativamente as perspectivas de crescimento a médio prazo, reforçar a entrada de divisas e consolidar a confiança dos mercados internacionais.
“A retoma dos trabalhos pela TotalEnergies e o levantamento da força maior pela Exxon oferecem um potencial impulso ao crescimento a médio prazo”, refere o relatório.
Energia volta a dinamizar exportações e confiança dos investidores
Com a retoma da execução técnica, os dois projectos deverão aumentar substancialmente a capacidade de exportação de LNG, estimular a actividade logística e industrial e criar milhares de empregos directos e indirectos ao longo das cadeias de valor.
O FMI considera que o impacto combinado da TotalEnergies e da Exxon Mobil poderá reposicionar o sector energético como o principal contributo para o crescimento económico, reforçando também a sustentabilidade das contas externas num contexto de desafios cambiais.
A missão destaca ainda que a reafirmação dos compromissos de investimento por parte dos operadores internacionais devolve previsibilidade ao sector e reduz incertezas que marcaram os últimos anos.
Actividade económica mostra sinais de recuperação
A missão observa que a economia começou a recuperar da contracção registada no último trimestre de 2024, enquanto a inflação se mantém moderada. Sectores como energia, logística e comércio revelam maior dinamismo, influenciados pela normalização das operações de investimento e por expectativas mais favoráveis no sector do gás.
Contudo, o FMI sublinha que a consolidação plena destes sinais positivos depende da adopção de políticas coordenadasque reforcem a disciplina fiscal, aumentem a flexibilidade cambial e acelerem reformas orientadas para o crescimento do sector privado.
Para o Fundo, Moçambique tem agora uma oportunidade estratégica para iniciar um novo ciclo de crescimento sustentado, impulsionado pelos mega-projectos energéticos. O impacto directo deverá reflectir-se na:
expansão da capacidade produtiva nacional;
maior entrada de receitas em divisas;
melhoria das contas externas;
ampliação das reservas internacionais;
atracção de novos fluxos de capital estrangeiro.
Se a execução técnica se mantiver dentro dos prazos previstos, o FMI acredita que o país poderá beneficiar de um ambiente macroeconómico mais estável, com melhores condições para investimento, crescimento e desenvolvimento.