O Banco de Moçambique (BM) determinou a devolução de 8 028 152,46 meticais a clientes de diversas instituições financeiras, após identificar irregularidades nas 620 reclamações analisadas durante o primeiro semestre de 2025.
A restituição resulta de cobranças indevidas detectadas no processo de supervisão efectuado ao abrigo da Circular n.º 8/EFI/2021, que estabelece a metodologia de cálculo das instituições mais reclamadas.
A publicação oficial “Estatísticas das Reclamações Recebidas no Banco de Moçambique Contra Instituições Financeiras – 1.º Semestre de 2025” abrange bancos, microbancos, cooperativas de crédito e instituições de moeda electrónica, num universo que ultrapassa 29,7 milhões de clientes no total do sistema.
Medidas aplicadas pelo Banco de Moçambique
Após a análise das reclamações, o regulador implementou um conjunto de acções correctivas e sancionatórias. Entre as principais medidas destacam-se:
Devolução de 8 028 152,46 MT aos clientes lesados;
Emissão de determinações específicas às instituições;
Instauração de dois processos contra-ordenacionais;
Três reuniões de acompanhamento com conselhos de administração;
Quatro acções de inspecção on-site;
Monitoria contínua da execução das medidas impostas.
O Banco Central sublinha que estas medidas visam reforçar a disciplina no sector financeiro, garantir a correcção das irregularidades e proteger os consumidores.
Assuntos mais reclamados pelos clientes
As 620 reclamações recebidas distribuíram-se por 12 categorias principais. Os dados mostram que os problemas continuam concentrados nos serviços bancários nucleares.
As três áreas que mais preocupam os clientes:
- Crédito – 205 reclamações (33,1%)
- Conta bancária – 167 reclamações (26,9%)
- ATM – 113 reclamações (18,2%)
Outras matérias com volume significativo:
- Moeda electrónica – 46 queixas (7,4%)
- Transferências – 30 (4,8%)
- Registos na CRC – 28 (4,5%)
- Pagamentos POS – 13 (2,1%)
Assuntos menos frequentes, mas ainda relevantes:
- Operações cambiais
- TIC
- Dever de segredo bancário
- Seguro
- Atendimento
Estas matérias, no conjunto, representam menos de 2% do total das reclamações.
Principais irregularidades identificadas
As irregularidades mais observadas pelo Banco de Moçambique concentram-se em falhas na execução de serviços básicos e incumprimentos contratuais. Entre as situações detectadas destacam-se:
Divergências na execução de contratos de crédito;
Cobranças de prestações após a liquidação;
Débitos indevidos em contas bancárias;
Dinheiro não disponibilizado em ATM apesar do débito;
Transferências debitadas mas não creditadas ao beneficiário;
Registos indevidos na CRC;
Pagamentos POS duplicados ou em sucessão de débito;
Procedimentos cambiais inadequados;
Falhas no pagamento de serviços TIC;
Quebras do dever de segredo bancário;
Falta de pagamento de seguros;
Falta de resposta a pedidos de informação dos clientes.
O regulador salienta que estas irregularidades comprometem a confiança e a integridade do sistema financeiro, justificando a intervenção directa do Banco Central.
Índice geral de reclamações e universo analisado
O Banco de Moçambique calcula o índice de reclamações por cada 100 mil clientes, metodologia que permite comparar instituições de diferentes dimensões.
Índice geral de reclamações: 2,1
Número total de reclamações: 620
Número total de clientes considerados: 29 714 162
O índice geral relativamente baixo resulta do grande número de clientes existentes no sistema, embora certas instituições apresentem índices muito elevados devido a carteiras reduzidas.
Reforço da confiança e da disciplina no sector
O Banco de Moçambique afirma que a publicação regular destas estatísticas tem três objectivos centrais:
Proteger o consumidor financeiro, garantindo a reposição dos valores cobrados indevidamente;
Reforçar a disciplina e a transparência nas instituições financeiras;
Consolidar a confiança no sistema bancário, assegurando a correcção de práticas irregulares.
A devolução de mais de oito milhões de meticais evidencia o impacto directo das acções de supervisão e o empenho do regulador em garantir um ambiente financeiro íntegro e estável.