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Concessão de 30 anos marca nova era da infra-estrutura de gás em Moçambique

O Governo aprovou uma concessão de 30 anos para infra-estruturas estratégicas de gás natural na Beira e em Inhambane, incluindo FSRUs e ligação ao gasoduto ROMPCO. A decisão coincide com o relançamento do Projecto Golfinho/Atum e a determinação de uma auditoria completa aos custos da Força Maior. O INP afirma que as medidas reforçam a credibilidade energética e o posicionamento internacional de Moçambique, que avança agora na criação de um novo hub logístico de gás e na retoma do maior projecto de GNL onshore do país.

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O Governo aprovou uma concessão de 30 anos para a construção e operação de novas infra-estruturas de gás natural, decisão que inaugura uma nova fase na arquitectura energética de Moçambique. A concessão é atribuída a uma Entidade de Objecto Específico (EOE) liderada pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH, E.P.), em parceria com empresas públicas estratégicas: Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Electricidade de Moçambique (EDM) e Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), além de parceiros privados com comprovada capacidade técnica e financeira a serem seleccionados pelo Executivo.

A EOE passa a deter o direito exclusivo de financiar, construir, importar e operar uma nova terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) e o gasoduto Moçambique–África do Sul (ROMPCO), elementos centrais para a expansão logística e industrial do país.

FSRUs na Beira e Inhambane criarão nova espinha dorsal logística do gás

O projecto assenta na instalação de unidades flutuantes de armazenamento e regaseificação (FSRUs) na Beira e em Inhambane, totalmente conectadas ao gasoduto ROMPCO.
Estas infra-estruturas permitirão:

  • receber e regaseificar GNL proveniente dos grandes projectos da Bacia do Rovuma;

  • reforçar a segurança energética do país;

  • assegurar gás para a industrialização e para o mercado doméstico;

  • consolidar Moçambique como plataforma logística regional para o gás natural.

Concessão inclui requisitos de conteúdo local, garantias e Fundo de Desmobilização

O contrato estabelece um pacote robusto de obrigações e salvaguardas, incluindo:

  • requisitos de conteúdo local para maximizar benefícios nacionais;

  • seguros e garantias de performance;

  • criação de um Fundo de Desmobilização destinado à reabilitação e encerramento seguro das infra-estruturas no final do ciclo do projecto.

Governo relança o Projecto Golfinho/Atum e determina auditoria aos custos da Força Maior

Na mesma sessão, o Executivo aprovou a Resolução que formaliza a retoma do Projecto Golfinho/Atum (Área 1 Offshore da Bacia do Rovuma), implementado pela TotalEnergies.
O Governo determinou a realização de uma auditoria completa aos custos incorridos durante o período de Força Maior, etapa essencial para validar a futura Adenda ao Plano de Desenvolvimento e reforçar as garantias de transparência e boa governação no projecto.

A auditoria incidirá sobre componentes técnicas, económicas, de segurança e de responsabilidade social, consolidando o acompanhamento directo do Estado a um dos maiores investimentos privados do continente africano.

INP: decisões reforçam estabilidade, credibilidade e posicionamento internacional

O Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Petróleo (INP), Nazário Bangalane, saudou ambas as decisões, sublinhando o impacto estruturante para o sector energético:

“Estas deliberações representam um avanço significativo para a estabilidade energética e para a credibilidade de Moçambique enquanto produtor e exportador de gás natural.”

Sobre a nova concessão de infra-estruturas, Bangalane sublinhou:

“O projecto posiciona aquela região do país como um novo pólo logístico de gás natural.”

E, quanto ao Projecto Golfinho/Atum:

“A auditoria aos custos e a monitoria contínua garantem transparência e condições sólidas para a retoma segura do projecto.”

Moçambique avança em duas frentes estratégicas do sector do gás

Com estas aprovações, o país avança simultaneamente em duas dimensões essenciais:

  1. Criação de um hub logístico de gás natural na Beira e Inhambane, reforçando o abastecimento ao mercado interno e potenciando exportações regionais.

  2. Relançamento do maior projecto de GNL onshore do país, considerado crucial para o equilíbrio dos mercados regionais e globais de gás natural.

Estas decisões consolidam o papel de Moçambique como um dos actores energéticos mais relevantes da África Austral, reforçando a posição do país nas cadeias globais de energia e na atracção de investimento internacional.