O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Mais de 11 milhões de moçambicanos usam carteiras móveis

O Banco de Moçambique revela que o país ultrapassou 11 milhões de contas activas de moeda electrónica, um crescimento de 18% face a 2023. O uso de carteiras móveis expandiu-se sobretudo entre mulheres, com um aumento de 58%, impulsionado pela digitalização dos serviços financeiros, pela interoperabilidade e pelo alargamento das redes de agentes e POS. O avanço reforça a inclusão financeira e posiciona Moçambique como um dos líderes regionais em pagamentos digitais.

CArteira-Movel thumbnail

O uso de carteiras móveis atingiu um novo recorde em Moçambique, com mais de 11 milhões de contas activas de moeda electrónica, segundo o Relatório de Inclusão Financeira 2024 publicado pelo Banco de Moçambique.

Os dados mostram que o país alcançou 1.093 contas móveis por cada 1.000 adultos, representando um crescimento de 18% em relação a 2023, sinal de que muitos utilizadores possuem mais do que uma carteira electrónica. O avanço consolida Moçambique como um dos países com maior circulação de pagamentos digitais na região da SADC.

O relatório evidencia que o maior salto ocorreu entre mulheres adultas, cujo uso de moeda electrónica cresceu 58% num único ano, reduzindo de forma expressiva a disparidade de género no acesso aos serviços financeiros digitais.

Este progresso é impulsionado pela expansão da interoperabilidade entre:

  • instituições de moeda electrónica;
  • bancos comerciais;
  • microbancos;
  • operadores de pagamentos.

A melhoria da cobertura de agentes móveis e POS, que cresceram 40% e 18%, respectivamente, também reforçou a aceleração do acesso, sobretudo em zonas periurbanas e rurais.

Digitalização impulsiona inclusão financeira

A digitalização continua a transformar o sistema financeiro nacional, com as carteiras móveis a desempenharem um papel central na:

  • transferência de valores;

  • realização de pagamentos;

  • dinamização do comércio electrónico;

  • promoção da poupança digital;

  • formalização financeira de pequenos negócios.

O relatório sublinha que a expansão dos serviços digitais tem compensado limitações históricas da rede bancária tradicional, cujo número de balcões permanece praticamente estável.

A inclusão financeira também cresceu graças à digitalização dos pagamentos do INSS, que já abrange mais de 130 mil beneficiários, segundo o Banco de Moçambique.

Este processo, apoiado pelo Ministério da Economia e Finanças e pelo Banco Mundial, reforçou a confiança dos utilizadores e estimulou o hábito de utilização de carteiras móveis, sobretudo em zonas rurais onde o acesso bancário é limitado.

Utilização cresce, mas desafios permanecem

Apesar dos avanços, o relatório identifica desafios persistentes:

  • desigualdades de género ainda significativas;

  • barreiras de literacia digital;

  • falhas de conectividade em zonas remotas;

  • necessidade de reforço da protecção do consumidor.

O Banco de Moçambique afirma que a nova Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2025–2031 irá concentrar-se na:

  • melhoria da qualidade do uso dos serviços;

  • redução de riscos;

  • expansão segura e sustentável dos pagamentos electrónicos.

Com mais de 11 milhões de utilizadores activos, as carteiras móveis tornaram-se o principal motor da inclusão financeira no país. O crescimento acelerado da moeda electrónica está a transformar a forma como os moçambicanos fazem transacções, enviam dinheiro, pagam serviços e poupam.

A trajectória indica um país que avança para uma economia mais digital, acessível e integrada, com impacto directo na competitividade, na transparência financeira e na capacidade de inclusão económica de milhões de cidadãos.