O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Novos investimentos impulsionam produção nacional de ovos e reforçam segurança alimentar

A produção nacional de ovos deverá atingir 56,4 milhões de dúzias até 2029, segundo o PQG 2025–2029, impulsionada por investimentos privados, expansão de aviários e melhoria genética. Entre 2024 e 2029, o crescimento acumulado supera 77%, reduzindo a dependência de importações e fortalecendo a segurança alimentar. O sector, hoje um dos maiores empregadores rurais, beneficia de novos investimentos em ração, incubação e mecanização, posicionando Moçambique para competir regionalmente. O Governo aposta ainda em laboratórios, logística e industrialização para consolidar o ciclo de crescimento avícola.

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A produção nacional de ovos está a registar um impulso sem precedentes, impulsionada por novos investimentos privados, expansão da capacidade produtiva e reformas orientadas para fortalecer as cadeias de valor avícola em todo o país. O sector tornou-se um dos motores emergentes da economia agrícola, contribuindo para a diversificação produtiva, redução de importações e aumento da oferta interna de proteína de baixo custo.

Segundo o Plano Quinquenal do Governo (PQG) 2025–2029, Moçambique deverá alcançar 56,4 milhões de dúzias de ovos até 2029, o equivalente a 676,7 milhões de unidades, representando um crescimento acumulado superior a 77% em relação aos níveis estimados para 2024.

Investimentos privados ampliam capacidade produtiva

Nos últimos anos, empresas nacionais e estrangeiras têm vindo a reforçar as suas operações, com investimentos em:

  • novas incubadoras industriais,

  • aviários de grande capacidade,

  • linhas mecanizadas de produção e embalamento,

  • fábricas de ração,

  • formação de pequenos produtores integrados.

Este movimento ampliou significativamente a oferta nacional e permitiu que várias províncias, como Maputo, Gaza, Manica e Tete, emergissem como novos pólos avícolas.

Crescimento sustentado até 2029

O PQG 2025–2029 projeta a seguinte evolução:

  • 2025: 31,7 milhões de dúzias

  • 2026: 36,8 milhões de dúzias

  • 2027: 42,7 milhões de dúzias

  • 2028: 49,5 milhões de dúzias

  • 2029: 56,4 milhões de dúzias

O crescimento resulta da combinação entre maior capacidade instaladas, melhoria genética, maior disponibilidade de ração e expansão dos sistemas de assistência técnica.

O sector avícola é hoje um dos maiores geradores de emprego rural, absorvendo milhares de trabalhadores em:

  • pequenas e médias explorações,

  • unidades industriais,

  • redes de distribuição,

  • produção de ração e transporte.

A expansão da produção nacional reduz custos de importação e fortalece o equilíbrio da balança comercial. O Governo estima que, com o aumento da produção interna, o país poderá substituir uma parcela significativa dos ovos importados, diminuindo a vulnerabilidade externa e aumentando a oferta interna a preços mais competitivos.

Moçambique posicionado para competir regionalmente

Com maior escala produtiva e investimentos contínuos, Moçambique poderá posicionar-se como fornecedor regional, sobretudo para países deficitários na África Austral. Para isso, o Executivo prevê reforçar:

  • laboratórios de certificação sanitária,

  • infra-estruturas de logística e frio,

  • mecanismos de financiamento rural,

  • programas de apoio à industrialização do sector.

A trajectória de crescimento da produção de ovos confirma o potencial da avicultura como motor da diversificação agrícola e da segurança alimentar. Com metas claras, investimento consistente e integração de pequenos produtores, Moçambique prepara-se para atingir, até 2029, o nível mais elevado de produção avícola da sua história, ultrapassando 676 milhões de ovos anuais, numa cadeia de valor com forte impacto económico, nutricional e social.