O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Sistema portuário antecipa expansão para 59,7 milhões de toneladas e reforço logístico em 2026

O sistema portuário moçambicano deverá movimentar 59,7 milhões de toneladas em 2026, segundo o PESOE, impulsionado pelo aumento de cargas como combustíveis, trigo e fertilizantes. Nacala-a-Velha lidera o crescimento, com uma expansão prevista de 20,3%. O transporte marítimo e ferroviário também regista avanços significativos, com maior capacidade de vagões, reforço de locomotivas e novos braços de carga no Porto da Beira. A cabotagem ganha prioridade, visando reduzir custos internos e melhorar a conectividade costeira. As projecções consolidam Moçambique como corredor logístico estratégico na África Austral.

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Moçambique deverá entrar em 2026 com um sistema portuário mais robusto, estável e preparado para responder ao aumento da procura logística nacional e internacional. As projecções constam do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE), que indica que os portos nacionais poderão movimentar 59,7 milhões de toneladas métricas no próximo ano, acima das 56,1 milhões de 2025, traduzindo um crescimento de 1,1%.

O desempenho será impulsionado pela maior circulação de combustíveis, trigo, fertilizantes, bens industriais e outras cargas essenciais ao funcionamento das cadeias produtivas.

Nacala-a-Velha lidera com crescimento acima de 20%

Os portos de Maputo, Beira, Nacala, Nacala-a-Velha e Quelimane apresentam as projecções de expansão mais significativas para 2026, com crescimentos situados entre 2% e 8%.

O destaque vai para Nacala-a-Velha, que deverá registar um aumento expressivo de 20,3%, reflectindo maior procura internacional, melhor integração logística e reforço das operações de exportação.

Nos portos secundários: Topuito, Nampula e Pemba, as perspectivas também são positivas, com variações previstas entre 3,9% e 1,6%, impulsionadas por novas cargas e aumento das exportações agrícolas e industriais.

Transporte marítimo e ferroviário reforçam trajectória de crescimento

O PESOE indica igualmente que o transporte marítimo de carga poderá atingir 53,7 mil milhões de toneladas-quilómetro (t-km) em 2026, acima dos 52,9 mil milhões t-km estimados para este ano — um crescimento de 1,6%.

No sector ferroviário, as expectativas são ainda mais robustas:

  • 13,5 mil milhões t-km previstos para 2026,

  • face aos 12,2 mil milhões t-km de 2025,

  • representando um aumento de 10,2%.

Este avanço será potenciado por:

  • expansão da frota de vagões,

  • aumento da capacidade de transporte de carvão, calcário, açúcar e combustíveis,

  • reforço das locomotivas em corredores estratégicos,

  • maior integração operacional entre portos e ferrovia.

O Porto da Beira deverá beneficiar adicionalmente da instalação de novos braços de carga para abastecimento de combustíveis, elemento que reforça a eficiência logística do corredor e reduz tempos de operação.

Cabotagem nacional ganha nova prioridade

Num contexto de recuperação económica progressiva, a revitalização da cabotagem, transporte marítimo interno, surge como uma das apostas do sector.
O objectivo é:

  • reduzir custos logísticos internos,

  • melhorar a conectividade costeira,

  • apoiar cadeias de abastecimento regionais,

  • aliviar pressão sobre a rede rodoviária nacional.

O reforço desta modalidade poderá ampliar a circulação de mercadorias entre cidades costeiras e estimular actividades económicas locais, sobretudo em sectores como comércio, pescas, agricultura e indústria transformadora.

O desempenho previsto para 2026 consolida o papel dos portos moçambicanos como corredores estratégicos para o comércio interno e para países do hinterland — Malawi, Zâmbia, Zimbabué e RDC.

A expansão para 59,7 milhões de toneladas fortalece:

  • a competitividade dos corredores logísticos nacionais,

  • a capacidade de atrair novas cargas,

  • o posicionamento de Moçambique nas cadeias de transporte da África Austral,

  • e o ambiente para investimentos logísticos adicionais.

Com estes indicadores, o Governo projecta um 2026 marcado por maior estabilidade operacional, crescimento económico e reforço do papel dos portos como motores estruturantes do desenvolvimento nacional.