O Governo pretende maximizar o retorno dos investimentos avaliados em cerca de 210 milhões de dólares norte-americanos realizados no Porto da Beira, através da adopção de medidas estruturantes que reforcem a eficiência operacional, a coordenação institucional e a sustentabilidade de longo prazo desta infra-estrutura estratégica para Moçambique e para os países do hinterland regional.
A posição foi defendida pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, durante uma visita de trabalho ao Porto da Beira, na província de Sofala, com o objectivo de avaliar no terreno os constrangimentos operacionais, os investimentos em curso e as soluções necessárias para responder ao crescimento do movimento de cargas.
Crescimento do tráfego impõe ganhos reais de eficiência
Durante a visita, o Chefe do Estado constatou que o Porto da Beira tem registado um crescimento significativo no movimento de combustíveis, carga geral e contentores, situação que, segundo afirmou, exige não apenas novos investimentos, mas sobretudo ganhos efectivos de eficiência operacional.
“Temos várias concessões e vários operadores a investir de forma isolada, sem uma coordenação efectiva, o que não resolve o problema principal, que é a eficiência do Porto da Beira.”
O Presidente reconheceu que a construção da nova estrada de acesso ao porto — cuja empreitada já se encontra mobilizada — constitui um passo relevante para mitigar o congestionamento, mas sublinhou que esta intervenção, por si só, não resolve os problemas estruturais da infra-estrutura.
Plano Director e autoridade de coordenação como soluções centrais
Para ultrapassar os constrangimentos existentes, o Chefe do Estado defendeu a elaboração urgente de um Plano Director de Desenvolvimento do Porto da Beira, que permita orientar os investimentos de forma integrada, disciplinada e sustentável.
Paralelamente, propôs a criação de uma entidade com autoridade efectiva para gerir e fazer cumprir esse plano, assegurando a articulação entre o sector público, o sector privado, as empresas concessionárias e as instituições do Estado que operam no porto, incluindo a Autoridade Tributária e as Alfândegas.
“Sem um plano director e uma coordenação efectiva, os problemas vão persistir, mesmo com novos investimentos.”
Pressão regional reforça urgência das reformas
O Presidente Daniel Chapo referiu que as preocupações com a eficiência do Porto da Beira têm sido reiteradamente manifestadas pelos países do hinterland, nomeadamente Zimbabué, Maláui e Zâmbia, que dependem desta infra-estrutura para o escoamento das suas mercadorias.
“Todos os nossos países amigos e irmãos da região reclamam a necessidade de aumentarmos a eficiência do Porto da Beira.”
Neste contexto, sublinhou que a modernização do porto não é apenas uma prioridade nacional, mas também um factor crítico para a competitividade logística regional.
Investimentos estruturantes em curso e capacidade instalada
Além da nova estrada de acesso, cuja primeira fase liga o porto a Inhamíssa — incluindo um cruzamento desnivelado para reduzir tempos de circulação — está igualmente prevista a sua extensão até Mafambisse, no distrito do Dondo, onde será construído um grande centro logístico de referência regional, destinado a aliviar a pressão sobre o porto.
Estão igualmente em curso investimentos para reforçar a capacidade operacional, incluindo a aquisição de novas gruas de grande dimensão e outros equipamentos, com vista ao aumento da produtividade dos terminais.
O Porto da Beira dispõe actualmente de dois terminais modernos — o Terminal de Contentores e o Terminal de Carga Geral — resultantes de investimentos adicionais avaliados em 210 milhões de dólares norte-americanos. A infra-estrutura apresenta uma capacidade anual de manuseamento de até 5 milhões de toneladas e está preparada para receber navios com porte bruto máximo de 50 mil toneladas (DWT).
Até ao final de 2025, prevê-se ainda que a capacidade de armazenamento em tanques atinja 923.451 metros cúbicos, destinada sobretudo ao acondicionamento de produtos líquidos, como combustíveis e derivados.
Logística integrada como alavanca do crescimento económico
O Presidente da República reafirmou que o futuro do Porto da Beira depende de uma gestão integrada, disciplinada e eficiente, capaz de maximizar o retorno dos investimentos já realizados e responder às exigências do crescimento económico nacional e regional.
“O compromisso do Governo é continuar a investir de forma coordenada no sector dos transportes e logística, garantindo que os investimentos se traduzam em eficiência real e impacto económico.”
A abordagem defendida pelo Chefe do Estado posiciona o Porto da Beira como um eixo central da estratégia de desenvolvimento logístico, industrial e comercial de Moçambique, com impacto directo na competitividade da economia e na integração regional.