A cidade de Maputo acolheu, esta semana, a sessão de auscultação pública sobre o Projecto de criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM) — uma iniciativa presidencial que visa reduzir a taxa de crédito malparado de 8,24%, melhorar o acesso ao financiamento e impulsionar o crescimento económico inclusivo.
O encontro reuniu representantes do Governo, autoridades municipais, reitores, docentes, estudantes e especialistas do sector financeiro, marcando um passo decisivo na modernização do sistema financeiro moçambicano.
“O Banco de Desenvolvimento representa um passo determinante para transformar a economia e promover um crescimento mais inclusivo e equilibrado”, afirmou a Ministra das Finanças, Carla Louveira.
Banco de Desenvolvimento para financiar projectos estruturantes e ampliar o crédito produtivo
A ministra explicou que o BDM surge como resposta aos desafios estruturais do sistema financeiro, caracterizado por limitações no acesso ao crédito e pela concentração do mercado em poucas instituições bancárias.
“O nosso sistema financeiro ainda enfrenta barreiras que dificultam o investimento produtivo. O BDM será um instrumento para diversificar as fontes de financiamento, reduzir riscos cambiais através do uso da moeda local e garantir maior estabilidade financeira para os beneficiários nacionais”, destacou Carla Louveira.
De acordo com a governante, o banco actuará como mecanismo de mobilização de capital nacional e internacional, canalizando recursos para sectores estratégicos como agricultura, saúde, educação, indústria, habitação e tecnologias de informação.
O projecto está alinhado com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044 e com o Plano Quinquenal do Governo 2025–2029.
Taxa de crédito malparado atinge 8,24% e justifica a criação do BDM
Durante o encontro, a Ministra das Finanças revelou que o sistema financeiro moçambicano apresenta uma taxa de crédito malparado de 8,24%, acima do limite internacional de 5%, o que limita a confiança dos investidores e o crescimento do crédito produtivo.
“O Banco de Desenvolvimento deverá actuar como catalisador da transformação económica, promovendo o emprego, a inovação e a inclusão”, afirmou Carla Louveira, sublinhando que o banco terá uma abordagem inclusiva, com foco em micro, pequenas e médias empresas.
Auscultação pública com envolvimento académico e social
Para garantir um modelo de governação participativo, o Ministério das Finanças decidiu envolver universidades e instituições de ensino no processo de auscultação pública, de modo a fundamentar o desenho do BDM com evidências técnicas e contributos científicos.
“O sucesso do Banco depende da participação activa de todos os sectores da sociedade. Queremos construir uma instituição que responda às necessidades reais da economia”, disse Carla Louveira.
O Secretário de Estado na Cidade de Maputo, Vicente Imede, destacou o papel estratégico do novo banco na dinamização da economia local e regional, salientando a importância de canalizar recursos para projectos com impacto social e económico directo.
“O BDM deverá ser um instrumento de financiamento estratégico para os sectores prioritários e um pilar para a concretização da Estratégia Nacional de Desenvolvimento”, afirmou Vicente Imede.
Maputo apoia a criação do novo banco
Em representação do Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Armindo Matos reafirmou o apoio da capital à criação do Banco de Desenvolvimento, destacando o papel de Maputo como centro financeiro do país.
“A cidade está preparada para cooperar e acolher a implementação do banco, promovendo sinergias entre o sector privado, académico e institucional”, declarou Armindo Matos.
Impacto económico e próximos passos
O Banco de Desenvolvimento de Moçambique deverá tornar-se um instrumento central de financiamento de longo prazo, reduzindo a dependência de crédito comercial e aumentando a capacidade de investimento produtivo nacional.
A proposta será submetida a debate parlamentar e avaliação técnica, com vista à aprovação da estrutura legal e operacional do novo banco até meados de 2026.