O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Volume interbancário cresce 56,17% e taxa MIMO baixa para 9,75% no III trimestre de 2025

O Banco de Moçambique anunciou uma redução da taxa MIMO de 10,25% para 9,75% e um aumento de 56,17% no volume de transações interbancárias no terceiro trimestre de 2025. Segundo o relatório trimestral, as medidas reforçam a liquidez, a estabilidade cambial e a confiança dos agentes económicos. As taxas dos Bilhetes do Tesouro e as taxas activas médias também recuaram, acompanhando a tendência de expansão da liquidez e de moderação dos custos de financiamento. O Metical manteve-se estável em torno de 64 MT/USD, consolidando a credibilidade da política monetária e a previsibilidade do ambiente financeiro.

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O Banco de Moçambique (BdM) registou um aumento de 56,17% no volume de transacções interbancárias e reduziu a taxa MIMO de 10,25% para 9,75% durante o terceiro trimestre de 2025, de acordo com o Boletim dos Mercados Monetário Interbancário e Cambial e o Relatório Trimestral de Mercados divulgados pela instituição.

A descida da taxa de política monetária marca o décimo primeiro corte consecutivo desde o início de 2024 e confirma o compromisso do banco central com o controlo da inflação e o estímulo à liquidez bancária.

“A redução da taxa MIMO resulta do cenário de estabilidade cambial e da manutenção da inflação em níveis controlados, criando condições para a retoma gradual do crédito e o reforço da confiança no sistema financeiro”, refere o relatório do Banco de Moçambique.

Com esta decisão, a taxa MIMO acumula uma redução total de 750 pontos base em menos de dois anos, consolidando o processo de normalização monetária e estabilização das condições macroeconómicas.

Mercado interbancário em forte expansão

O volume de operações interbancárias entre instituições de crédito atingiu valores historicamente altos, impulsionado pela maior confiança entre bancos comerciais e pela queda das taxas de juro no mercado monetário.

O aumento de 56,17% reflecte a expansão da liquidez e o maior dinamismo das operações de curto prazo.

“As transacções interbancárias cresceram significativamente, acompanhando a tendência de descida das taxas e a procura de instrumentos de gestão de liquidez”, destaca o documento.

Em contrapartida, as operações com clientes registaram ligeira redução de 3,14%, num contexto de ajustamento gradual do crédito privado e moderação da procura de financiamento por parte das empresas.

Taxas de juro dos Bilhetes do Tesouro continuam em queda

As taxas médias dos Bilhetes do Tesouro (BT) voltaram a cair, acompanhando o efeito da política monetária expansionista.

No período de referência, os BT de 91 dias recuaram de 12,84% para 11,98%, os de 182 dias de 13,06% para 12,32%, e os de 364 dias de 13,10% para 12,53%.

“O comportamento das taxas do mercado primário reflecte o impacto positivo das medidas do Banco de Moçambique e o aumento da confiança dos agentes financeiros”, lê-se no relatório trimestral.

Paralelamente, as taxas passivas médias aplicadas pelos bancos comerciais desceram de 6,48% para 5,62%, enquanto as taxas activas médias (aplicadas aos empréstimos) registaram ligeira redução de 23,64% para 23,33%.

Metical mantém estabilidade face ao dólar norte-americano

No mercado cambial interbancário, o Metical manteve-se estável face ao dólar norte-americano, com uma taxa de câmbio de referência de 63,91 MT/USD e taxa efectiva média de 64,01 MT/USD.

A estabilidade cambial foi sustentada pela gestão prudente das reservas internacionais e pelo equilíbrio entre procura e oferta de divisas.

Apesar da redução de 3,14% no volume global de negócios cambiais, registou-se maior equilíbrio nas operações entre bancos e empresas importadoras, sinalizando normalização gradual das trocas externas.

“A estabilidade do metical continua a ser um dos principais factores de confiança e previsibilidade para os agentes económicos”, indica o Banco de Moçambique.

Riscos internos exigem prudência monetária

O Banco de Moçambique alerta, contudo, para riscos internos que continuam a desafiar o equilíbrio macroeconómico, incluindo pressões fiscais, níveis ainda elevados de crédito malparado e vulnerabilidade a choques climáticos e externos.

Ainda assim, a instituição assegura que a inflação permanecerá em níveis de um dígito e que continuará a seguir uma postura prudente e previsível na política monetária.

“Persistem riscos que condicionam as projecções, mas o quadro cambial e monetário mantém-se estável, assegurando condições para o crescimento sustentável”, reforça o documento.