O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Economia do gás poderá gerar receitas equivalentes a três vezes o PIB nacional

A economia do gás natural poderá gerar receitas globais equivalentes a cerca de três vezes o PIB nacional, segundo o Presidente da República, Daniel Chapo. Com projectos liderados pela TotalEnergies, ENI e ExxonMobil, avaliados em cerca de 50 mil milhões de dólares, Moçambique consolida-se como produtor estratégico de GNL. O Governo aposta na monetização interna do gás, na industrialização, na criação de emprego e no reforço das receitas fiscais. A economia do gás é apresentada como pilar da Independência Económica, com impacto estrutural no crescimento, na integração regional e no desenvolvimento sustentável.

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A economia do gás natural poderá gerar, nos próximos anos, receitas globais equivalentes a cerca de três vezes o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, posicionando Moçambique entre os principais produtores mundiais de gás natural liquefeito (GNL) e criando uma oportunidade histórica para transformar estruturalmente a economia.

A projecção foi avançada pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, durante a Informação Anual à Assembleia da República sobre a Situação Geral da Nação, apresentada a 18 de Dezembro de 2025, onde o Chefe do Estado sublinhou que, caso todos os compromissos de investimento sejam materializados, o país poderá beneficiar de cerca de 75 mil milhões de dólares norte-americanos.

“Caso todos os compromissos de investimento sejam materializados, há possibilidades de o País se beneficiar de um valor global de cerca de 75 biliões de dólares americanos, o que representa mais de três vezes o nosso PIB”, afirmou o Presidente da República.

Três operadores globais ancoram a economia do gás

Segundo o Governo, a consolidação da economia do gás assenta na presença de três grandes operadores internacionaisTotalEnergies, ENI e ExxonMobil — cujos projectos colocam Moçambique no centro do mercado global de GNL.

A retoma plena das actividades da TotalEnergies, após o levantamento da força maior, a Decisão Final de Investimento (FID) da ENI e a confirmação da entrada da ExxonMobil a partir de 2026 representam, de acordo com o Executivo, um sinal inequívoco de confiança internacional no país.

O conjunto destes projectos está avaliado em cerca de 50 mil milhões de dólares, com impacto directo na criação de emprego, no desenvolvimento de fornecedores nacionais, no reforço das receitas fiscais e na estabilidade da balança de pagamentos.

Monetização do gás e industrialização nacional

O Presidente da República destacou que a estratégia governamental vai além da exportação de gás em bruto, apostando na monetização interna do recurso como base para a industrialização e a independência energética.

Um dos marcos recentes é a entrada em funcionamento da primeira fábrica de processamento de gás natural liquefeito em Inhassoro, avaliada em mil milhões de dólares, que permitirá reduzir em cerca de 75% as importações de gás de cozinha e assegurar maior auto-suficiência energética.

“Pela primeira vez, o gás extraído em Moçambique será processado no território nacional para beneficiar directamente os moçambicanos”, sublinhou o Chefe do Estado.

Impacto fiscal, social e regional

De acordo com o Executivo, a economia do gás tem potencial para gerar receitas fiscais e parafiscais significativas, reforçando a capacidade do Estado de investir em saúde, educação, infra-estruturas e protecção social.

O Governo recorda ainda que estão legalmente definidas percentagens específicas de receitas mineiras e petrolíferas destinadas às comunidades locais, garantindo que parte da riqueza gerada beneficie directamente as populações das zonas produtoras.

No plano regional, a economia do gás posiciona Moçambique como actor estratégico na segurança energética da África Austral e Oriental, reforçando a integração económica e a cooperação com países vizinhos.

Formação, emprego e conteúdo local

O Executivo sublinha que a maximização dos benefícios da economia do gás passa pela formação de quadros nacionais, pela valorização do conteúdo local e pelo envolvimento das empresas moçambicanas nas cadeias de fornecimento.

Neste contexto, destaca-se a criação do Centro Tecnológico de Moçambique, a ser construído no Zimpeto com financiamento internacional, destinado à capacitação de jovens para as indústrias do gás, petróleo e mineração.

Gás como pilar da Independência Económica

Para o Presidente da República, o gás natural constitui um dos pilares centrais da visão de Independência Económica, ao lado da energia, da industrialização, da agricultura e das infra-estruturas.

O Governo reconhece que a materialização plena deste potencial exige estabilidade política, boa governação, transparência e gestão responsável dos recursos, condições que considera estar a reforçar ao longo do actual ciclo governativo.

A Informação Anual conclui que a economia do gás representa uma oportunidade sem precedentes, capaz de reposicionar Moçambique na economia global e de criar bases sólidas para um desenvolvimento sustentável e inclusivo nas próximas décadas.