A economia moçambicana registou, em Novembro, um dos sinais mais consistentes de estabilidade macroeconómica dos últimos meses: a inflação homóloga desacelerou para 4,38%, continuando abaixo do intervalo de dois dígitos e reflectindo menor pressão sobre os preços domésticos. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e referem-se ao comportamento dos preços nas oito cidades que compõem o IPC Nacional.
A inflação mensal fixou-se em 0,29%, enquanto a inflação acumulada de Janeiro a Novembro atingiu 2,73%, mantendo-se igualmente em níveis moderados. O desempenho indica um ambiente favorável para o planeamento económico, execução de investimentos e controlo das expectativas de preço.
Alimentação continua a ser o principal factor de pressão, mas em desaceleração
De acordo com o INE, a divisão de Alimentação e bebidas não alcoólicas foi a que mais contribuiu para a variação mensal, adicionando 0,15 pontos percentuais à inflação nacional.
Os produtos com maiores aumentos foram:
Por outro lado, alguns produtos contribuíram para travar maiores aumentos de preços, nomeadamente:
Tete, Quelimane e Inhambane registam maiores pressões locais
A análise por centro de recolha confirma assimetrias regionais:
Província de Inhambane: 0,88%
Cidade de Tete: 0,63%
Cidade de Chimoio: 0,47%
Cidade da Beira: 0,28%
Cidade de Xai-Xai: 0,25%
Cidade de Nampula: 0,21%
Cidade de Quelimane: 0,15%
Cidade de Maputo: 0,08%
Apesar dos diferentes pesos, todas as cidades registaram aumento de preços em Novembro.
Comportamento acumulado reforça tendência de estabilidade
Até Novembro, a inflação acumulada atingiu 2,73%, com maior contribuição das divisões:
Alimentação e bebidas não alcoólicas: +1,42 pp
Restaurantes, hotéis, cafés e similares: +0,68 pp
Entre os produtos com maior impacto acumulado destacam-se:
Peixe seco
Refeições completas
Pão de trigo
Carapau
Arroz em grão
Sabão em barra
O conjunto destes produtos contribuiu com 1,77 pontos percentuais para a inflação acumulada.
Inflação homóloga de 4,38% reforça previsibilidade económica
Em comparação com Novembro de 2024, os preços cresceram 4,38%, ritmo inferior ao observado em vários períodos recentes. As maiores variações homólogas verificaram-se nas divisões:
Alimentação e bebidas não alcoólicas: 9,52%
Restaurantes e hotéis: 9,40%
Do ponto de vista económico, uma inflação anual controlada e estável tende a:
melhorar o ambiente de negócios,
reforçar a previsibilidade para investidores,
facilitar a gestão fiscal e monetária,
proteger parcialmente o poder de compra das famílias.
Com a inflação controlada, expectativas ancoradas e reformas económicas em curso, Moçambique entra no final de 2025 com sinais positivos de estabilização interna. A trajectória actual indica que o país poderá iniciar 2026 com maior espaço para:
estímulo ao investimento privado,
aceleração produtiva,
execução de grandes projectos públicos,
maior resiliência a choques externos.
A consolidação deste ambiente dependerá, no entanto, da evolução dos preços internacionais dos alimentos e combustíveis, da robustez da produção interna e da eficácia das políticas fiscal e monetária.