A balança de pagamentos de Moçambique registou sinais de melhoria no terceiro trimestre de 2025, impulsionada sobretudo pelo aumento significativo da entrada de capitais externos, apesar da pressão contínua sobre a conta corrente.
De acordo com o relatório do Banco de Moçambique, a conta financeira apresentou um desempenho robusto, com uma entrada líquida de fundos de cerca de 2,5 mil milhões de dólares, reflectindo um crescimento expressivo do investimento directo estrangeiro, particularmente nos grandes projectos dos sectores de petróleo, gás e carvão.
O reforço dos fluxos de investimento contribuiu para compensar o agravamento do défice externo, num contexto em que a economia continua a depender de financiamento externo para suportar a sua actividade.
O relatório indica que o investimento directo estrangeiro cresceu de forma significativa, com destaque para os projectos extractivos, consolidando o papel destes investimentos como motor de financiamento da economia nacional.
Apesar desta melhoria, a conta corrente manteve-se sob pressão, registando um agravamento do défice em cerca de 20%, influenciado pela redução das exportações e pelo aumento das despesas com serviços.
A queda das exportações, particularmente associada aos grandes projectos, aliada ao aumento da importação de serviços especializados, contribuiu para o desequilíbrio externo observado no período.
Mesmo com um saldo global ainda deficitário, o país conseguiu reforçar a sua posição externa, com o aumento das reservas internacionais brutas para cerca de 3,9 mil milhões de dólares, nível considerado suficiente para cobrir vários meses de importações.
Este desempenho reflecte uma maior capacidade de resposta da economia face a choques externos e reforça a estabilidade macroeconómica no curto prazo.
Os dados apontam, contudo, para a necessidade de reforçar a base exportadora e diversificar a economia, de modo a reduzir a dependência de capitais externos e garantir maior sustentabilidade da balança de pagamentos no médio e longo prazo.
O desempenho do terceiro trimestre evidencia, assim, uma recuperação assente no investimento, mas ainda condicionada por fragilidades estruturais no sector externo.