O olhar económico sobre o futuro de Moçambique.

Inflação abrandou para 4,8% e perspectivas continuam estáveis

A inflação anual em Moçambique desceu para 4,83% em Outubro de 2025, apoiada pela redução de preços administrados e pela estabilidade do Metical. A inflação subjacente recuou para 6,23%, reforçando a tendência de moderação. As expectativas apontam para 5,25% em Dezembro, mantendo um cenário de estabilidade no médio prazo. A queda dos preços internacionais de combustíveis e alimentos contribui para aliviar pressões inflacionárias, apesar dos riscos associados à dívida interna, atrasos de pagamentos do Estado e choques climáticos previstos para 2026.

Recuperação economica e inflação-02 thumbnail

A inflação anual em Moçambique voltou a recuar em Outubro de 2025, fixando-se em 4,83%, após os 4,9% registados em Setembro, de acordo com o Relatório de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação (CEPI) publicado pelo Banco de Moçambique.

Os dados reforçam um cenário de estabilidade de preços, apoiado pela contenção dos bens administrados, pela queda de tarifas reguladas e pela manutenção da estabilidade cambial.

Quando excluídos os itens mais voláteis: frutas, vegetais e bens administrados, a inflação subjacente caiu para 6,23%, reforçando o abrandamento das pressões internas sobre os preços.

O relatório sublinha:

“O abrandamento da inflação anual em Outubro reflecte o comportamento dos preços administrados e a relativa estabilidade do Metical.”

Este comportamento cria condições mais favoráveis para a política monetária, que já resultou na redução das taxas de juro de referência ao longo do segundo semestre do ano.

Expectativas mantêm-se ancoradas: projecção é de 5,25% em Dezembro

O inquérito de expectativas conduzido pelo Banco de Moçambique revela que a inflação deverá situar-se em 5,25% em Dezembro de 2025, apenas 0,2 pontos percentuais acima da previsão anterior.

O aumento marginal está ligado sobretudo a factores sazonais associados ao fim do ano e não altera a avaliação geral de estabilidade macroeconómica.

No médio prazo, o CEPI prevê que:

  • a inflação se mantenha em um dígito;

  • sustentada pela estabilidade cambial;

  • pela queda dos preços internacionais de combustíveis e alimentos;

  • e pelo impacto acumulado das medidas de política monetária introduzidas desde meados de 2025.

Metical estável reforça contenção dos preços internos

O mercado cambial continua a actuar como âncora anti-inflacionária.

O Metical manteve-se estável face ao dólar, em 63,91 MZN/USD, o mesmo nível de Setembro.

Face ao rand sul-africano, registou-se uma depreciação moderada de 2,2%, dentro do padrão habitual de volatilidade regional.

Segundo o Banco de Moçambique, a trajectória descendente dos preços internacionais dos combustíveis e de alguns produtos alimentares,  ajudou a limitar a pressão importada sobre os preços internos.

Este contexto aumenta a probabilidade de Moçambique manter a inflação num intervalo controlado, apesar da deterioração das condições climáticas previstas para o início de 2026.

Riscos persistem, mas permanecem sob controlo

O relatório identifica factores que podem exercer pressão sobre a inflação nos próximos meses:

  • aumento da dívida pública interna, que afecta a liquidez do sistema bancário;

  • atrasos nos pagamentos do Estado, que condicionam o mercado interbancário;

  • possíveis choques climáticos, que podem reduzir a oferta interna de bens essenciais;

  • volatilidade das economias parceiras, sobretudo África do Sul e zona euro.

Mesmo assim, a avaliação do banco central é de que os riscos estão ancorados, permitindo manter uma leitura positiva do quadro macroeconómico.

Inflação controlada reforça confiança e cria espaço para o crescimento económico

O abrandamento da inflação para 4,8% e a manutenção das expectativas dentro de níveis confortáveis são sinais encorajadores para consumidores, empresas e investidores.

A combinação entre estabilidade cambial, descida dos preços internacionais e gestão prudente da política monetária favorece:

  • recuperação gradual da actividade económica;

  • redução faseada das taxas de juro;

  • maior previsibilidade para investimento privado;

  • e ambiente mais propício para planificação empresarial.

Moçambique encerra 2025 com uma inflação estável e tendência descendente, embora continue a enfrentar desafios estruturais que exigem coordenação contínua entre Governo, Banco de Moçambique e sector privado para consolidar a trajectória de confiança.