A dívida soberana moçambicana registou esta semana a maior correcção positiva desde 2018, depois de o Presidente da República, Daniel Chapo, ter indicado que Moçambique espera alcançar um novo programa com o Fundo Monetário Internacional (FMI) no início de 2026.
A Bloomberg destaca que a reação dos mercados financeiros foi imediata e amplamente favorável, traduzindo uma melhoria significativa na percepção de risco do país.
Segundo a agência, os eurobonds moçambicanos lideraram o desempenho entre as economias emergentes após as declarações do Chefe de Estado.
“Os títulos da dívida de Moçambique tiveram a melhor prestação entre as economias emergentes, depois de o Presidente do país anunciar que espera alcançar o acordo de um novo programa com o Fundo Monetário Internacional, no início do próximo ano.” — Bloomberg
A Bloomberg assinala que o juro do Eurobond com maturidade em 2031 desceu para 12,5%, o nível mais baixo em quase um mês.
Queda dos juros reflecte confiança na orientação económica do Governo
A descida para 12,5% traduz, segundo a Bloomberg, uma alteração significativa no sentimento dos investidores, motivada não por mudanças estruturais imediatas na economia, mas pelo sinal político claro de que o país está a reforçar o diálogo com parceiros multilaterais e a preparar um novo ciclo de coordenação macroeconómica.
No seu artigo, a Bloomberg enfatiza ainda a contratação da consultora Alvarez & Marsal, classificada como um factor que eleva a credibilidade de Moçambique na gestão da dívida.
A consultora aproxima Moçambique “das melhores práticas internacionais de gestão da dívida”, enviando “um sinal de profissionalismo e de preparação técnica.”
Mercados internacionais passam a ver Moçambique como menos imprevisível
A agência cita gestores de investimentos que observam uma melhoria consistente no posicionamento do país perante investidores globais. Um deles, de um grande banco sul-africano, resumiu o sentimento predominante:
“O país passa a parecer menos imprevisível (…). Se o Governo conseguir passar das intenções às estruturas, o preço da dívida ainda pode recuar mais.”
Este movimento traduz maior apetite por activos moçambicanos e reforça a noção de que o país volta a ganhar espaço na carteira de investidores de mercados emergentes.
Avanços no sector de gás reforçam percepção positiva
A Bloomberg refere ainda que os progressos administrativos e operacionais da TotalEnergies no megaprojecto de gás natural liquefeito (GNL) em Cabo Delgado têm ajudado a consolidar o optimismo dos mercados.
Os investidores consideram que a retoma das operações abre perspectivas de receitas futuras mais robustas e de maior estabilidade económica.
Com a queda dos juros, o interesse renovado dos mercados e a aproximação de um novo acordo com o FMI, Moçambique entra num ciclo de perceção externa mais favorável, assente em:
confiança renovada dos investidores;
maior estabilidade na curva de juros;
sinais de coordenação económica com parceiros multilaterais;
reforço da credibilidade institucional;
retoma de grandes projectos energéticos.
Trata-se da maior correcção positiva desde 2018, um marco que reposiciona Moçambique no panorama internacional e demonstra o impacto directo que a comunicação económica e política pode ter no comportamento dos mercados.